O que é uma previsão de consenso — e o que não é
O número esperado num calendário vem de um inquérito que alguém fez. Quem é inquirido, como se calcula o valor, porque discordam dois calendários e o que uma superação prova de facto.
Alguém fez um inquérito
O valor esperado impresso ao lado de uma divulgação não veio do instituto de estatística. Um fornecedor de dados pergunta a um painel de economistas de bancos e casas de análise o que pensam que o indicador vai mostrar, recolhe as respostas individuais e publica delas um valor central — habitualmente a mediana, por vezes a média. Esse valor é o consenso, e é um resumo de opiniões e não uma propriedade da estatística.
A pergunta a fazer é sobre o painel
Os consensos diferem porque os inquéritos diferem. Os fornecedores inquirem painéis diferentes, de dimensões diferentes, fecham a recolha em momentos diferentes antes da divulgação e tratam de forma diferente as respostas tardias ou actualizadas. Um analista que revê a previsão depois de sair um indicador relacionado pode ou não ser captado, consoante a hora de fecho. Nada disto é escondido — os fornecedores documentam o processo — mas nada disto se vê na linha do calendário onde o resultado aparece.
Porque é que dois calendários mostram expectativas diferentes
A consequência prática é que a mesma divulgação pode trazer números esperados diferentes em dois sítios e, por isso, ser uma superação num e uma desilusão noutro. Nenhum está errado; estão a reportar inquéritos diferentes. Antes de tratar uma superação como informação, vale a pena saber que consenso a sua fonte usa, porque é nisso que consiste todo o conteúdo do rótulo.
A mediana esconde o desacordo
Um único valor central nada diz sobre o grau de acordo do painel. Um conjunto apertado de previsões e uma dispersão larga podem dar a mesma mediana, e descrevem estados de conhecimento muito diferentes. Onde o fornecedor publica o intervalo ou os contributos individuais, é a dispersão o número mais informativo: diz se o resultado ficou fora do que alguém esperava ou confortavelmente dentro do conjunto.
O que uma superação ou desilusão prova
A diferença entre o número publicado e o consenso prova uma coisa: a estimativa central do painel errou por essa margem, nesse sentido. É uma afirmação sobre os analistas. Não é uma afirmação sobre a economia estar forte ou fraca — um número fraco que se esperava ainda mais fraco continua fraco — e não é uma previsão do que se segue.
O consenso não é a única expectativa na sala
Os inquéritos são uma medida do que se espera, e fecham antes da divulgação. Os preços, o posicionamento e os comentários posteriores também transportam expectativas, e podem mexer-se depois de o inquérito ter fechado. É por isso que um número que sai exactamente em consenso pode ainda assim ser tratado como notícia, e que uma divulgação que supera um consenso desactualizado pode não ter surpreendido ninguém no momento.
O que fazer com ele
Trate o consenso como contexto para ler a divulgação: o que esperavam os analistas informados e por quanto falharam. Se tomar notas, registe de que fornecedor veio, porque um consenso sem a sua fonte não é comparável com nada mais tarde. E trate o comentário que explica um movimento de mercado apenas por referência a uma superação ou desilusão como uma afirmação e não como um relato de causalidade: é um número visível entre muitas coisas a acontecer no mesmo segundo.
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