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Nota 49 Atualizado 5 min de leitura

Com o que você realmente concorda ao abrir uma conta

Uma conta de negociação é aberta aceitando uma pilha de documentos, não um. Do que é feito o contrato de cliente, quais dois fatos localizar primeiro e as cláusulas curtas do fim.

Escrito pela equipe editorial da ForxZen

O acordo é um conjunto de documentos, não uma página

Abrir uma conta de negociação termina com uma caixa marcada, e aquilo a que a caixa se refere quase nunca é um documento só. É um contrato de cliente e, depois dele, uma lista de outros documentos que o contrato puxa pelo nome: uma política de execução de ordens, uma política de conflitos de interesse, uma tabela de tarifas, uma divulgação de riscos, um aviso de privacidade e, às vezes, um anexo próprio para cada produto. Todos são termos. Apenas um deles é aquilo que as pessoas querem dizer quando afirmam que leram os termos.

Vale reparar nessa estrutura antes de qualquer outra coisa, porque ela decide onde mora cada resposta. A pergunta sobre quanto custa uma operação é respondida na tabela de tarifas, que o contrato costuma reservar-se o direito de alterar. A pergunta sobre para onde vai uma ordem é respondida na política de execução. A pergunta sobre o que acontece quando a empresa e o cliente querem coisas diferentes é respondida na política de conflitos. O contrato de cliente guarda o resto e é o único que diz quais dos outros documentos fazem parte do contrato.

Qual empresa, e sob qual lei

Os dois primeiros fatos a localizar são o nome da empresa do outro lado do contrato e a lei sob a qual ele é lido. Costumam ficar no primeiro parágrafo e no último, respectivamente, o que descreve bem quanta atenção recebem.

Eles importam porque tudo o mais vem depois deles. Um grupo pode operar várias empresas sob uma marca, uma plataforma e uma equipe de suporte, e a empresa nomeada no seu contrato é aquela cuja autorização cobre a conta, cujos arranjos de compensação se aplicam ao dinheiro e contra quem uma reclamação seria feita. A lei aplicável decide então o que cada cláusula do documento significa de fato, porque uma cláusula significa o que aquela lei diz que ela significa, e não o que parece dizer numa tradução. Nenhum dos dois fatos se deduz do site, e ambos estão escritos com clareza no documento, o que os torna a coisa mais barata de verificar e a mais cara de descobrir depois.

As cláusulas que descrevem o que a empresa pode fazer

Um contrato de cliente não é simétrico, e não finge ser. Boa parte dele é uma lista de coisas que a empresa pode fazer sem perguntar, e lê-lo é, em grande medida, reunir essa lista.

As recorrentes são estas. A empresa pode mudar preços e exigências de margem, com um prazo de aviso que encolhe ou some em condições anormais. Pode recusar ou cancelar uma ordem. Pode tratar um preço como erro evidente e desfazer as operações feitas sobre ele. Pode declarar que as condições de mercado se perturbaram e passar a outro conjunto de regras, inclusive avaliando ela mesma uma posição. Pode encerrar posições quando a conta cai abaixo de um nível e, separadamente, encerrar posições quando um evento afeta o instrumento a que elas se referem. Pode terminar a relação mediante aviso. Cada uma é razoável isoladamente e cada uma tem uma definição atrelada, e é à definição, não ao poder, que o tempo de leitura pertence.

Inadimplemento é mais amplo do que não pagar

A maioria dos contratos define um evento de inadimplemento, e a definição é mais ampla do que a expressão sugere. Não cumprir uma exigência de margem está lá, mas também está um pagamento que não chega, uma declaração feita na abertura que se revela falsa, documentos vencidos e, na maior parte dos contratos, a violação de qualquer termo.

O que torna isso digno de nota é a consequência, não a lista. Ocorrido o evento, a empresa em geral pode encerrar posições a preços que determina, parar de aceitar ordens, usar dinheiro de uma conta para cobrir a falta em outra e encerrar o contrato — nada disso exigindo que o mercado tenha andado contra você. Um documento de identidade vencido pode colocar a conta na mesma postura que uma falta de margem. Os gatilhos administrativos são os que chegam sem aviso, porque nada neles parece um inadimplemento enquanto está acontecendo.

As duas cláusulas que decidem quanto vale uma promessa

Perto do fim do documento, passado o ponto onde a leitura costuma parar, estão duas cláusulas curtas que governam discretamente o resto. Uma diz que os documentos nomeados são o contrato inteiro, de modo que nada dito fora deles é um termo. A outra diz quando uma comunicação conta como recebida.

A primeira significa que uma promessa numa ligação comercial, uma garantia no chat de suporte ou um número numa página de divulgação não fazem parte do contrato, por mais claros que tenham sido. Há um limite — cláusulas assim em geral não afastam a responsabilidade por uma afirmação feita para induzir alguém a contratar — mas esse limite é uma questão jurídica decidida pela lei aplicável, e não algo que a transcrição de um chat resolva sozinha. A versão prática é mais simples: aquilo em que se confia deve constar dos documentos nomeados antes de a conta ser financiada.

A segunda é mais silenciosa e faz mais trabalho. Se um e-mail conta como recebido ao ser enviado, e uma mensagem conta como recebida ao ser publicada no portal do cliente, então uma mudança de termos, um pedido de documentos ou um aviso de transferência podem produzir efeitos contra um endereço que ninguém abre há um ano. Os prazos de objeção correm daquele instante, não do instante da leitura. É por essa cláusula que o endereço cadastrado é parte viva do contrato, e não um detalhe.

O que a leitura de fato oferece

Nada disso torna um contrato negociável. Um cliente de varejo recebe um formulário padrão e pode aceitá-lo ou não, e leitura nenhuma muda uma palavra dele. O que a leitura muda é o que será surpresa.

O documento é onde estão as respostas honestas a perguntas que de outro modo o marketing responde: quanto isso custa, o que pode mudar e com quanto aviso, quem decide quando algo dá errado, o que acontece com o dinheiro se a relação terminar e onde uma discussão seria travada. Essas respostas existem antes de a conta ser financiada e são as mesmas depois. A diferença é apenas se foram lidas num momento em que ainda eram informação, ou no momento em que viraram desfecho.

Risco

Capital em risco. Negociar forex e CFDs envolve um alto nível de risco e pode não ser adequado para todos os investidores — a maioria das contas de varejo de CFD perde dinheiro. Nunca opere com dinheiro que você não pode perder. Ler o aviso de risco completo

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